Representantes de organizações políticas, movimentos sociais e coletivos de diversos países da América Latina e do Caribe realizaram, em Madrid, um ato em defesa da soberania dos povos, da democracia e da autodeterminação, reunindo militantes e lideranças em frente à Embaixada dos Estados Unidos.
A mobilização foi organizada por uma ampla articulação internacional e contou com a participação de representantes do Brasil, Peru, Colômbia, México, Bolívia e de organizações espanholas comprometidas com a solidariedade entre os povos.
Durante o ato, cada delegação apresentou a realidade política vivida em seu país. Os representantes peruanos denunciaram a crise política e abordaram as dificuldades enfrentadas pelos cidadãos residentes no exterior para exercer plenamente o direito ao voto.
A delegação colombiana manifestou preocupações e questionamentos sobre o processo eleitoral em seu país, defendendo transparência e respeito à vontade popular.
Representantes mexicanos destacaram os desafios enfrentados pelo governo da presidenta Claudia Sheinbaum diante das pressões políticas e econômicas externas.
Um dos momentos mais marcantes da manifestação foi uma performance de lavagem da bandeira do Peru, intervenção artística de forte simbolismo em defesa da democracia, da justiça e da dignidade do povo peruano.
Renecéya Mara de Mello Assis reafirmou a posição histórica do Partido dos Trabalhadores em defesa da soberania nacional, da integração latino-americana e caribenha, do multilateralismo e da solução pacífica dos conflitos
Representando o Núcleo do PT Madrid, na qualidade de coordenadora, em sua intervenção, também manifestou solidariedade aos povos que enfrentam sanções econômicas, bloqueios e outras formas de ingerência externa, destacando a importância da unidade entre os povos da região.
Leia abaixo a íntegra da intervenção (tradução para o português):
Companheiras e companheiros, amigas e amigos da América Latina, da Espanha e de todos os povos que lutam por justiça, democracia e paz:
Hoje estamos aqui, em frente à Embaixada dos Estados Unidos, porque acreditamos que o silêncio nunca pode ser uma opção diante das injustiças.
Falo em nome do Partido dos Trabalhadores (PT) do Brasil, mas também como latino-americana, consciente da história do nosso continente.
A América Latina sabe, talvez melhor do que qualquer outra região do mundo, o que significam as intervenções estrangeiras, os bloqueios econômicos, as sanções unilaterais, os golpes de Estado promovidos do exterior e as tentativas de impor governos ou políticas que nossos povos jamais escolheram.
Por isso, quando vemos novas medidas de pressão econômica contra países da nossa região, não as consideramos fatos isolados. Elas fazem parte de uma lógica que, durante décadas, tentou condicionar a soberania dos nossos povos.
O Partido dos Trabalhadores sempre defendeu o direito de Cuba de viver sem um bloqueio econômico que castiga sua população há mais de sessenta anos. Também defendeu que as diferenças em relação à Venezuela devem ser resolvidas por meio do diálogo, do respeito ao direito internacional e da autodeterminação dos povos, e não por meio de sanções ou pressões externas.
E é a partir dessa mesma convicção que hoje defendemos o Brasil.
As recentes medidas tarifárias anunciadas pelo governo dos Estados Unidos contra produtos brasileiros não afetam apenas a economia do Brasil. Elas representam uma forma de pressão política que pretende influenciar decisões que cabem exclusivamente ao povo brasileiro e às suas instituições.
Como Partido dos Trabalhadores, afirmamos com toda clareza: a soberania do Brasil não se negocia.
Podemos ter divergências políticas dentro do nosso país. Isso é a democracia. Mas nenhum governo estrangeiro tem o direito de utilizar seu poder econômico para tentar condicionar as decisões soberanas de outra nação.
Defender o Brasil hoje não significa defender apenas um governo. Significa defender um princípio fundamental do direito internacional: o direito de cada povo de decidir livremente o seu próprio destino.
É esse o mesmo princípio que defendemos para Cuba.
O mesmo princípio que defendemos para a Venezuela.
O mesmo princípio que defendemos para toda a América Latina.
Queremos relações internacionais baseadas no respeito mútuo, na cooperação entre os povos, em um comércio justo e no multilateralismo.
Queremos pontes, não bloqueios.
Queremos diálogo, não ameaças.
Queremos solidariedade, não imposições.
Por isso, hoje, neste ato em frente à Embaixada dos Estados Unidos, levantamos nossa voz para dizer:
Não à ingerência nos assuntos internos dos nossos países!
Não ao uso de sanções e medidas econômicas como instrumentos de pressão política!
Sim à soberania dos povos!
Sim à democracia!
Sim à integração latino-americana!
Porque a paz só pode ser construída sobre o respeito entre as nações, e nenhum povo será verdadeiramente livre enquanto outro for punido por exercer sua soberania.
Viva a solidariedade internacional!
Viva a América Latina!
Viva um Brasil soberano, democrático e comprometido com a paz!”
Renecéya Mara de Mello Assis, coordenadora do Núcleo do PT Madrid
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Assista à íntegra da intervenção de Renecéya Mara de Mello Assis no canal do Núcleo do PT Madrid:
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