sáb. ago 1st, 2026

O Núcleo do PT Madrid participou oficialmente do encontro, representado por sua coordenadora, Renecéya Mara de Mello Assis

Organizações bolivianas, movimentos de migrantes, coletivos feministas, organizações de solidariedade internacional e entidades sindicais espanholas

Evento reuniu parlamentares, dirigentes sindicais, partidos políticos e movimentos sociais de diversos países para fortalecer a solidariedade internacional diante da ofensiva da extrema direita contra governos progressistas da região.

Mesmo em pleno verão europeu — período entre 15 de julho e 15 de agosto, quando Madrid tradicionalmente reduz sua atividade política e institucional devido às férias parlamentares e ao recesso de muitas organizações — a sede das Comisiones Obreras (CCOO) recebeu um importante encontro internacional em defesa da democracia e da soberania da América Latina.

O ato “Defender la democracia y la soberanía en América Latina: Injerencismo electoral y ola reaccionaria contra los gobiernos progresistas” reuniu parlamentares espanhóis, dirigentes sindicais, partidos políticos, organizações sociais e coletivos de migrantes latino-americanos para debater a crescente articulação internacional da extrema direita e seus impactos sobre os processos democráticos na região.

A iniciativa foi convocada por Erik Guerrero (“Colibrí”), enlace do Morena México na Espanha e na Europa, e contou com a participação de representantes do Partido dos Trabalhadores (PT), Morena, Pacto Histórico (Colômbia), Juntos por el Perú, Frente Amplio (Uruguai), Argentina Soberana,

A programação foi aberta e encerrada por apresentações musicais, reforçando o caráter cultural e internacionalista da atividade.

Unidade internacional em defesa da democracia

Na abertura, Erik Guerrero destacou que o encontro foi organizado para fortalecer a articulação entre parlamentares, sindicatos, partidos políticos e movimentos sociais diante da crescente ofensiva da extrema direita contra os governos progressistas da América Latina.

Ao saudar as delegações presentes, reconheceu o trabalho de diversas organizações e lideranças que há anos constroem a solidariedade internacional na Espanha. Entre elas, fez um agradecimiento especial a Fran Pérez, da Izquierda Unida, destacando sua permanente disposição em apoiar partidos, movimentos sociais e coletivos latino-americanos nas lutas em defesa da democracia e dos direitos dos povos.

Guerrero afirmou que, após importantes iniciativas internacionais realizadas na Espanha em defesa da democracia, intensificaram-se as ações coordenadas da extrema direita contra governos progressistas da região. Segundo ele, Madrid tornou-se também um espaço de articulação dessas forças, tornando ainda mais necessária a construção de uma ampla frente de solidariedade internacional.

O dirigente mexicano ressaltou a importância de defender a Quarta Transformação no México, acompanhar a situação política do Peru e manter vigilância diante das eleições brasileiras, reafirmando que a democracia latino-americana exige cooperação permanente entre partidos, sindicatos, parlamentos e movimentos sociais.

Enrique Santiago alerta para novas formas de ingerência

O deputado Enrique Santiago (Izquierda Unida/PCE) apresentou uma das análises centrais do encontro. Em sua intervenção, afirmou que as ameaças à democracia latino-americana já não se manifestam apenas por meio de golpes militares, mas através de novas formas de ingerência, como campanhas de desinformação, manipulação das redes sociais, inteligência artificial, financiamento político externo, lawfare e ataques coordenados aos processos eleitorais.

Santiago citou especialmente a situação colombiana como exemplo das tentativas de desestabilização de governos progressistas e alertou para os riscos representados pelas operações internacionais de desinformação.

Também manifestou solidariedade aos povos de Cuba, Venezuela e México e concluiu defendendo atenção permanente às eleições brasileiras, para impedir que mecanismos semelhantes de interferência sejam utilizados contra a democracia no Brasil.

CCOO destaca integração entre Europa e América Latina

Representando as Comisiones Obreras (CCOO), Félix Ovejero destacou que a defesa da democracia latino-americana também é responsabilidade das forças democráticas europeias.

O dirigente sindical defendeu a construção de uma articulação permanente entre sindicatos, movimentos sociais, partidos políticos e organizações populares dos dois continentes, afirmando que

Madrid pode consolidar-se como um espaço de referência para esse diálogo internacional.

Ao abordar a próxima Cúpula Ibero-Americana, prevista para novembro na capital espanhola, Ovejero defendeu que a integração entre os povos não fique restrita aos governos, mas conte também com ampla participação da sociedade civil organizada. Nesse contexto, lembrou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva está entre os convidados para a cúpula, ao lado da presidenta mexicana Claudia Sheinbaum, evidenciando o protagonismo dos governos progressistas na construção de uma agenda comum entre a América Latina e a Europa.

UGT reafirma apoio ao governo Lula

Representando a União Geral dos Trabalhadores (UGT), Jesús Gallego destacou os avanços promovidos pelo governo da presidenta Claudia Sheinbaum no México e denunciou os ataques promovidos por setores da extrema direita internacional contra os governos progressistas.

O dirigente sindical ressaltou políticas voltadas à valorização do trabalho, ao fortalecimento dos direitos sociais e à defesa da soberania nacional, reafirmando a solidariedade da UGT às forças democráticas latino-americanas.

Ao final de sua intervenção, Gallego manifestou apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao Partido dos Trabalhadores, defendendo a continuidade do projeto democrático brasileiro diante do cenário eleitoral que se aproxima.

PT Madrid reafirma compromisso com a soberania dos povos

Representando o Núcleo do PT Madrid, a coordenadora Renecéya Mara de Mello Assis destacou que os ataques à democracia já não ocorrem apenas por meio de golpes de Estado, mas também através do lawfare, da desinformação, das pressões econômicas, da manipulação das redes sociais e de tentativas de interferência nos processos eleitorais.

Ao abordar a realidade brasileira, lembrou que o país se aproxima de mais uma eleição presidencial em um contexto de crescente tensão internacional e reafirmou que somente o povo brasileiro possui legitimidade para decidir o futuro do Brasil.

Também defendeu que a soberania nacional significa garantir o direito de cada povo escolher livremente seus representantes, sem qualquer forma de tutela ou ingerência estrangeira, principio que deve valer igualmente para Brasil, México, Colômbia, Peru e todos os países latino-americanos.

A coordinadora Renecéya de Mello concluiu defendendo o fortalecimento da solidariedade entre partidos democráticos, sindicatos, parlamentos e movimentos sociais como instrumento essencial para proteger a democracia em toda a região.

Solidariedade internacional para defender a democracia

Realizado em um período em que Madrid tradicionalmente vive um recesso político devido às férias de verão, o encontro demonstrou a capacidade de mobilização das forças progressistas em torno de um tema que ultrapassa as fronteiras nacionais.

A ampla participação de representantes de partidos políticos, centrais sindicais, parlamentares emovimentos sociais reafirmou que a defesa da democracia, da soberania dos povos e do direito de cada país decidir livremente seu futuro exige unidade, cooperação internacional e vigilancia permanente diante das novas formas de ingerência.

Para o Núcleo do PT Madrid, participar desse espaço de articulação internacional reafirma o compromisso histórico do Partido dos Trabalhadores com a democracia, a soberania nacional, a integração latino-americana e a solidariedade entre os povos.


Tradução da intervenção da coordenadora do Núcleo do PT Madrid:

Companheiras, companheiros, boa tarde!

É uma honra representar, em Madrid, o Núcleo do Partido das Trabalhadoras e dos Trabalhadores do Brasil neste encontro em defesa da democracia e da soberania da América Latina.

Em primeiro lugar, quero parabenizar e agradecer ao Eli, nosso coordenador, por esta iniciativa.

Hoje, mais do que nunca, precisamos compreender que os ataques contra os nossos países já não acontecem apenas por meio de golpes de Estado. Eles assumem novas formas: campanhas de desinformação, pressões econômicas, lawfare, perseguições políticas, manipulação das redes sociais e tentativas de influenciar os processos democráticos.

O Brasil conhece muito bem essa realidade. Depois de anos de instabilidade política, o povo brasileiro elegeu novamente o presidente Luiz Inácio

Lula da Silva para reconstruir a democracia, combater a fome, reduzir as desigualdades e devolver ao Brasil um papel de protagonismo no cenário internacional.

No entanto, a vontade soberana do povo brasileiro continua sendo alvo de pressões.

A poucos meses das eleições presidenciais de outubro, assistimos ao aumento das tensões nas relações entre os Estados Unidos e o Brasil, com medidas tarifárias que afetam a nossa economia, em um contexto político marcado por tentativas de influenciar o debate interno.

Ao mesmo tempo, lideranças da extrema direita brasileira buscam apoio político no exterior para fortalecer seu projeto de poder.

Acima das diferenças ideológicas, há um princípio que deve unir todas as pessoas comprometidas com a democracia: o futuro do Brasil só pode ser decidido pelo povo brasileiro.

Nenhum governo estrangeiro, nenhum interesse econômico e nenhum ator internacional tem o direito de decidir quem governa o nosso país.

Defender a soberania não é defender um partido político. É defender a democracia. É defender o direito de cada povo de escolher livremente os seus representantes.

E isso vale para o México, vale para a Colômbia, vale para o Peru, vale para toda a América Latina.

Quando se tenta intervir em um país latino-americano, envia-se uma mensagem para toda a região.

Por isso, nossa resposta também precisa ser coletiva.

Precisamos fortalecer a solidariedade entre os nossos povos, nossos movimentos sociais, nossos sindicatos, nossos partidos democráticos e nossos parlamentos.

Como brasileira que vive há mais de três décadas na Espanha, conheço muito bem o valor da solidariedade internacional.

Nós a vivemos durante a campanha pela liberdade do presidente Lula e pela defesa da democracia brasileira.

Hoje voltamos a afirmar, com a mesma convicção: a América Latina não aceita tutelas.

 Queremos relações internacionais baseadas no respeito mútuo, na cooperação entre os povos e no diálogo entre Estados soberanos.

Porque a democracia se constrói com votos, a soberania se constrói com respeito, e o futuro da América Latina deve ser decidido pelos povos latino-americanos.

Muito obrigada!”

Renecéya Mara de Mello Assis, coordenadora do Núcleo do PT Madrid


Acompanhe a intervenção de Renecéya de Mello em vídeo do Canal do Núcleo do PT Madrid no YouTube


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Lizbeth de Oliveira, editora

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