O PT de Madrid fez história mostrando o que o Brasil tem de melhor, que é a Cultura

Integrante frequente da festa anual do PCE-Partido Comunista Español, conhecida como FiestaPCE, desta vez o Núcleo do PT de Madrid inovou oferecendo uma oferta cultural única.
Foram duas artistas, Beth Firmino e Vanessa Borhagian, com propostas distintas e envolventes, que abriram e fecharam o evento trazendo interação e confraternização com todo o ambiente, composto por partidos políticos e movimentos sociais de esquerdas e sua militancia.
Á parte de desenvolver uma extensa agenda de partipação política, já relatada neste blog, o PT de Madrid abriu espaço para que os presentes tivessem contato com a identidade brasileira.
Os eventos culturais foram intensos e muito ricos do ponto de vista social, com a presença de pessoas da Espanha, da Europa, da África, da Ásia, América Central e Caribe e do Oriente Médio, entre o público. Nesse contexto, mostrar a cultura brasileira é fundamental para a nossa presença, pois mostra signos de identidade que muitos desconhecem.
Pois além do clima de festividade, pelo qual somos mundialmente conhecidos, o que Vanessa Borhagian encarnou perfeitamente, o Brasil é também um caudal de muitas culturas, algumas ancestrais, que insistem em seguir vivas. Como a matriz africana, que foi mostrada por Beth Firmino, na Poética de Orixás, que reuniu performances con profundo significado simbólico.
25/09 – Abertura: Beth Firmino, com a Poética de Orixás
Beth Firmino (Elizabeth Firmino-Pereira de Oliveira, Uberlândia-MG, 1966), é doutora em Artes Cênicas com pesquisas na área da Etnocenologia e da Antropologia Teatral, pesquisa os elementos estéticos, culturais e sociais do Candomblé – Culto aos Orixás do Brasil desde 1988, sendo também Iyalorixás (sacerdotisa), com 36 anos de iniciação.
Seu trabalho de pesquisa, docencia e produção cultural, consiste em reelaborar esses elementos dentro do proceso criativo, de modo autoral, não religioso. Beth Firmino trabalha com os elementos públicos desse conjunto, reservando os aspectos religiosos para suas práticas privadas, junto a pessoas da religião. Porém o conhecimento profundo, adquirido em anos de vivencia prática, a capacitam para realizar a curadoria necesaria ao lidar com um material tão extenso – horizontalmente, em número; e verticalmente, pela profundidade e possibilidades de leitura. Pois, em suma, se trata de uma linguagem que ela soube decodificar e articular. E nisto consiste a Poética de Orixás, metodologia desenvolvida e praticada por ela.
As performances
- ODARA, performance de Beth Firmino, Rivas-Vaciamadrid, 2026.
Odara é o nome de um Exu, o orixá dos caminhos, das comunicações e das encruzilhadas. A palavra Odara significa, literalmente, bonito e carrega a ideia de tornar belas as coisas. Porém, o Exu Odara guarda uma relação íntima com o sagrado feminino, Iya Mi Oxorongá. as donas da existência.
Por isso, a performance começa com o uso da água, que é lançada sobre o solo. Tanto a água, como o solo, a terra, são elementos femininos – embora Exu seja um orixá masculino – e representam “purificação e limpeza” dos caminhos. O ato significa “tornar propicio” o caminhar sobre a Terra, da qual somos filhos, reverenciando as mães.
E a Dança de Exu fala das múltiplas possibilidades que a vida oferece, de modo simultâneo e polissêmico. Nada tem um único lado. O alto e o baixo; as altas hierarquias, as pessoas comuns, os mercados, o comércio, os intercâmbios; os perigos e as sutilezas, tudo está presente em Exu. Por isso é reverenciado ao início, pois é o único com capacidade de antever e precaver todos os problemas.
2. OGUM, o guerreiro, protetor dos trabalhadores; performance de Beth Firmino, Rivas-Vaciamadrid, 2026.
Ogum é o orixá do ferro e da metalurgia e representa a força dos trabalhadores de dos revolucionarios, que lutam para transformar a realidade em progresso para o ser humano.Tudo que represente trabalho, tecnologia, disciplina, companheirismo e inovação pertence a Ogum.
Orixá masculino que representa a força, a estratégia e a união, Ogum é também o protetor dos ancianos, do cuidado e o respeito devido a essas pessoas que trilharam o caminho antes de nós e nos deixaram seu legado. Nesse sentido, Ogum se associa ao conhecimento técnico e metodológico, que passa de geração em geração.
Ogum é considerado um Orixá Primordial, o que equivale a dizer que estava entre os primeiros seres que habitaram o nosso mundo, chegando aqui com conhecimentos valiosos para nossa existência e prosperidad.
Com Ogum, a verdade e a fidelidade devem ser absolutas. Ogum não tolera mentirosos, nem pessoas falsas.
3. OYÁ/ IANSÃ, a força das mulheres; performance de Beth Firmino, Rivas-Vaciamadrid, 2026.
Oyá (Oiá, grafia mais utilizado no português do Brasil), conhecida também como Iansã – nome considerado uma síntese da frase yoruba “Iya Messan Orum”, dona e senhora dos nove espaços do Orum (que significa céu ou mundo espiritual). Segundo a tradição yoruba, os mundo espiritual é dividido em nove espaços que se sobrepõem, que são representados pelos nove filhos de Oyá, que são Eguns ou Ancestrais. Por isso ela tem poder sobre o reinos dos mortos, na sua qualidade de Oyá Igbalé, e suas derivações, que usa vestes brancas, a cor do culto aos ancestrais, ou invés do vermelho, a cor predominante de Oyá.
Beth Firmino é de Oyá Igbalé, por isso conhece bem o culto, os mitos e as danças desse orixá feminino que leva em si todas as características de Oyá, além do vínculo com o mundo dos ancestrais.
Oyá/ Iansã é um orixá que representa a força de luta e combate das mulheres, por isso usa uma espada. Seu símbolo é o raio, símbolo que compartilha com Xangô, por ser uma de suas esposas. Oyá e está presente nas tempestades e, no Brasil, é sincretizada com Santa Bárbara. Além dos tornados e redemoinhos.
Os elementos de Oyá são o raio, a eletricidade, o céu noturno, o fogo e o vento, porém num aspecto feminino, por isso a sua dança é rápida, enérgica e sensual. Agita os braços para afastar os espíritos dos mortos, pois é a responsável por levá-los ao seus destino correto. Brande a espada, em atitude de luta, e agita o corpo, mostrando a sua beleza.
O animal associado a Oyá é o búfalo, que representa força e resistência. O que também é uma evocção ao xamanismo e ao processo de cura espiritual, especialmente, em caso de enfermidades mentais. Pois um dos seus atributos é “melhorar o mal ori” (ori significa, literalmente, cabeça). Por isso, sua dança inclui reverências ao ori, com toques dos dedos na cabeça.
27/09 – Vanessa Borhagian fecha o evento com chave de ouro

Vanessa Borhagian é cantora e compositora, com uma carreira consolidada na Espanha, onde já gravou diversos álbuns, firmou espetáculos memoráveis, além de atuar em solo em eventos diversos.
Sua carreira é autoral, mas também atua como intérprete, emprestando sua voz e seus privilegiados dons musicais a grandes sucessos da MPB-Música Popular Brasileira, deixando a sua marca pessoal em cada um deles.
Além de musicista, intérprete e compositora, Vanessa Borhagian é também professora de canto, formando vozes que, muitas vezes, a acompanham. E nesse dia não podia ser diferentes, pois contou com o auxílio luxuoso de uma de suas alunas, Cristina Ferraz, ajudou a fazer a festa, atuando com grande animação no canto e na perscussão.

Ver em vídeo:
O vídeo com fragmentos da apresentação foi publicado no Facebook e pode ser visto clicando aqui.
Confira o ambiente interessante
Vanessa Borhagian mostra que Arte também é compromisso e engajamento! Valeu, Vanessa! Valeu demais!!!

Tivemos uma ajuda inesperada no primeiro dia: Ígor
O Ígor foi assistente de câmera, no dia 25/09, e nos ajudou na decoração da Caseta do PT Madrid. Obrigada, Ígor!!!
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